Ser e Tranformar!

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Desde que o mundo é mundo, buscamos formas de descobrir, aprender e registrar todo nosso conhecimento, seja nos desenhos das cavernas, ou nas escritas dos textos bíblicos. Fazemos isso para construir uma memória individual e coletiva; desta forma criamos uma evolução do conhecimento e desenvolvemos valores claros e objetivos para a nós e nossos familiares.

Com o surgimento da globalização o conhecimento rompeu fronteiras, ora pelas línguas mais faladas no mundo, ora pelas características culturais de cada país, ou estado. O fio condutor de todo este saber foi a internet, através de suas redes sociais. É por meio dela que tomamos conhecimento de todas as situações positivas e negativas que envolvem o mundo e passamos a perceber dores nunca antes vistas em tais proporções, como a depressão, ansiedade, falta de conhecimento próprio, impaciência, individualidade, insegurança e incerteza em relação ao futuro próximo. Acredito que tudo isso se dá por um grande problema que vem envolvendo a sociedade como um todo, mas principalmente os jovens e crianças em idade escolar, isto é,  a falta do sentimento de pertencimento.

Talvez você conheça algum jovem que sente vergonha da sua família, pois essa não está dentro dos padrões impostos pelas redes sociais e por isso, evita compartilhar ou estar em público junto aos seus,como participar da missa aos domingos, ou freqüentar a sorveteria em uma tarde de verão.

Provavelmente você tenha presenciado em sua família uma discussão para comprar algum bem de alto valor, seja o celular de última geração ou o computador mais rápido para jogos, de forma impaciente, desconsiderando as necessidades familiares, buscando através deste, se enquadrar em algum grupo. Você já deve ter ouvido aquela famosa frase: “… mas o todo mundo tem!”, acompanhada da famosa resposta: “… você não é todo mundo…”

Realmente cada jovem tem a sua individualidade e a sua identidade que o torna único, ela é tecida e construída através da base do conhecimento do coletivo que o cerca. Porém com o surgimento da globalização e do rompimento das fronteiras fica desafiador para esse jovem entender a qual cultura ou tribo ele pertence, quais atitudes são adequadas e quais ensinamentos serão partilhados pelo seu entorno. Visto que por vezes ele não reconhece, tão pouco se reconhece. Essa falta de identificação causa um afastamento deste jovem do seu seio familiar e cultural, em um momento repleto de inseguranças e dúvidas. Se você não se sente pertencente ao espaço aonde está, você não é capaz de amá-lo ou transformá-lo.

Pensando nisso, ao longo da minha trajetória, à frente do CNSR senti que precisávamos, enquanto escola, desenvolver um ambiente com esses jovens que, além do domínio da escrita e da matemática, pudéssemos ajudá-los a entender que pertencem a este mundo, e que todas as suas atitudes,  fazem a diferença sim, no resultado final para serem pessoas melhores. E assim nasce o Ser e Transformar que, em 2020, passou por uma reformulação para se adequar a este século desafiador.

Utilizamos os 4 pilares da educação para fomentar, em nossos educandos, educadores e familiares, a formação de valores éticos e morais, no exercício de sua cidadania e de uma vida cristã em sintonia com Jesus Cristo e seu evangelho, também inspirados em Santo Agostinho.

1) Aprender a Conhecer: Despertar em cada aluno a sede pelo conhecimento ajudando-os a desenvolver as armas e dispositivos intelectuais e cognitivos que lhes permitam construir as suas próprias opiniões e o seu próprio pensamento crítico. Usamos como fonte de inspiração a frase de Santo Agostinho: “Conhece-te, Aceita-te, Supera-te”.

2) Aprender a Fazer: Consiste essencialmente em aplicar, na prática, os seus conhecimentos teóricos. Não apenas reter e transmitir uma informação, mas também interpretar e selecionar as fontes de informações, analisar diferentes perspectivas, refazendo as suas próprias opiniões mediante novos fatos e informações. O aprender a fazer desenvolve uma autocrítica. Usamos como fonte de inspiração a frase de Santo Agostinho: ” Tenha cuidado para que a sua vida não transcorra contrário ao testemunho de sua boca”.

3) Aprender a Conviver: Consiste num dos maiores desafios, pois atua no campo das atitudes e valores, superar os conflitos, preconceitos, rivalidades milenares ou diárias. Pensar educação como um veículo de paz, tolerância e compreensão. Desenvolver competências colaborativas, trabalhar em equipe em prol de um bem comum, resgatar atitudes menos competitivas e despertar ações colaborativas. Usamos como fonte de inspiração a frase de Santo Agostinho: “Necessitamos um do outro, para sermos nós mesmos.

4) Aprender a Ser: Este pilar depende diretamente dos outros três. Considera-se que a Educação deve ter como finalidade o desenvolvimento total do indivíduo “espírito, corpo, mente, sensibilidade, sentido estético, responsabilidade pessoal e espiritualidade”. Desenvolver a educação de valores e atitudes, não apenas direcionados para a vida em sociedade, mas concretamente para o desenvolvimento individual. Formar indivíduos autônomos, intelectualmente ativos e independentes, capazes de estabelecer relações interpessoais, de comunicarem e evoluírem permanentemente, de intervirem de forma consciente e proativa na sociedade, para tanto é importante trilhar o caminho do autoconhecimento. Usamos como fonte de inspiração a frase de Santo Agostinho: “Deus é mais íntimo a nós que nós mesmos”.

Acredito que, fortalecidos por esses pilares ao longo de toda a jornada educacional no CNSR, entregamos ao mundo, jovens mais seguros, empáticos e conscientes de que pertencemos e estamos todos no mesmo barco chamado Terra. Vou me valer aqui da partilha de um aprendizado do navegador Almir Klink: “Estamos todos em um barco chamado Terra, se tem algum furo, todos têm que investigar”. Depende de nós, e de cada um de nós aplicar a solidariedade que está no discurso para uma experiência tão comum e fácil quanto respirar.

Lembre-se,  respirar é estar cheios de vida, mover -se livremente , sentir com intensidade nossa existência.

Pe. Mario Pistor ( presidente )